O que é Cetoacidose Diabética

Cetoacidose Diabética

Nesta postagem vou falar sobre uma condição séria que costuma acometer portadores de diabetes tipo 1 (e tipo 2, mais raramente), pela qual eu passei, ficando quatro dias internado em uma UTI: a Cetoacidose Diabética.

O que é

A cetoacidose diabética é uma complicação grave que pode ocorrer em portadores de diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 (menos comum nesse tipo). Ela ocorre quando o nível de glicose no sangue está muito elevado (acima de 250 mg/dl, por exemplo), e substâncias chamadas de cetonas (também chamadas de corpos cetônicos) começam a se acumular no sangue, tornando-o ácido. Seu excesso no sangue leva à acidose metabólica, ou cetoacidose.

Foi durante uma crise de cetoacidose que eu descobri ser portador de Diabetes Tipo 1. Após alguns dias passando mal, com diversos dos sintomas listados abaixo, procurei um pronto-socorro e, após realizar alguns exames, fui imediatamente admitido no hospital, sendo internado diretamente na UTI. Cetoacidose é coisa séria.

Sintomas da cetoacidose

Os sintomas típicos da cetoacidose são os seguintes:

  • Sede extrema
  • Urinar com muita frequência
  • Níveis de glicose muito elevados
  • Níveis de cetonas elevados na urina
  • Dores abdominais
  • Náuseas ou até mesmo vômito
  • Hálito com odor de frutas (como pêra)
  • Fadiga mesmo sem realizar esforço
  • Respiração e batimentos cardíacos acelerados
  • Boca, garganta e pele secas
  • Confusão mental

Note que é comum não ter todos os sintomas ao mesmo tempo, mas eu, por exemplo, senti uma sede absurdamente extrema, ao ponto de beber quase 4 litros de líquido por dia, e ir ao banheiro urinar mais de dez vezes no mesmo dia, além da fadiga, sonolência e taquicardia.

A cetoacidose é extremamente perigosa, e é uma emergência médica. Se não for tratada a tempo, a fadiga e sonolência será seguida de coma e então, da morte.

Portadores de diabetes tipo 1 podem adquirir testes de cetonas na urina em farmácias e realizar testes caso comecem a apresentar alguns dos sintomas citados, para que possam saber se devem procurar um hospital rapidamente.

Caso seja usado um teste de cetonas, o resultado estará em uma das três faixas a seguir:

  • Inferior a 0,6 mmol/L (até 15 mg/dL): Níveis normais. Nada a se preocupar, mas mantenha-se bem hidratado.
  • De 0,6 a 1,5 mmol/L (até 40 mg/dL): Se o nível de glicose no sangue estiver acima de 270 mg/L, sinaliza que o problema pode estar começando. Beba água, não realize exercícios físicos e entre em contato com seu médico.
  • Acima de 1,5 mmol/L (acima de 40 mg/dL): Se acompanhado de um nível de glicemia superior a 300 mg/L, há uma elevada probabilidade de estar desenvolvendo cetoacidose diabética. Beba água, não realize exercícios físicos e procure um pronto-socorro.

Causas da cetoacidose

A cetoacidose ocorre quando não há insulina suficiente no organismo para dar conta do alto nível de glicose no sangue. Não é tão comum em pessoas com diabetes tipo 2, pois essas pessoas geralmente não possuem níveis de insulina extremamente baixos, como ocorre na diabetes tipo 1, na qual o pâncreas não produz nada de insulina.
A cetoacidose é, frequentemente, o primeiro sintoma da diabetes tipo 1 – e foi exatamente assim que eu descobri ter esse problema.

Nosso corpo necessita da insulina para que a glicose presente no sangue possa ser aproveitada pelas células para obtenção de energia. Quando não há insulina presente, a glicose começa a se acumular na corrente sanguínea, e o organismo não consegue obter a energia necessária para seu funcionamento. Ou seja, as cetonas surgem quando o corpo não tem ou não consegue usar a energia que é proveniente do metabolismo dos carboidratos.

Então, o corpo começa a usar os estoques de gordura do fígado para obter energia, o que não requer insulina. Esse processo dá origem às cetonas, que acabam se acumulando on sangue, tornando-o ácido.

Tratamento da cetoacidose

O tratamento da cetoacidose deve ser feito em hospital, nunca em casa. Ele envolve a diminuição do nível de glicose no sangue (até estar abaixo de 240 mg/dl ao menos), normalização do nível de insulina e correção do pH e níveis de eletrólitos no sangue, como sódio, potássio e cálcio, além da reposição de líquidos, devido à desidratação que é causada.

Com frequência será realizado no hospital o exame de Gasometria, que consiste em colher sangue de uma artéria para verificar a distribuição de gases no sangue, do pH e equilíbrio ácido-base. Pessoalmente, posso dizer que se trata de um exame desagradável, pois colher o sangue de uma artéria é bem dolorido. Durante o período em que fiquei internado tive de fazer esse exame nove vezes.

Como se prevenir

Portadores de diabetes devem sempre tomar suas medicações como indicado pelo médico, além de seguir rigorosamente um plano de alimentação, além de se manterem sempre bem hidratados.

Também é importante realizar o teste de glicemia com frequência, para verificar se os níveis de açúcar no sangue estão dentro de uma faixa segura. Se houver qualquer alteração drástica, ou se você se sentir mal, faça um teste de cetonas na urina, se possível, ou procure logo um hospital. Não fique esperando passar – não irá. E cetoacidose é fatal se não for tratada a tempo.

Outro ponto a se ficar atento é que, quando ocorrem alguns processos infecciosos no corpo, como pneumonia, infecção urinária ou dentária, o organismo necessita de mais insulina. Assim se a dose de insulina que o diabético usa não for ajustada de acordo com essa necessidade, pode ocorrer um quadro de cetoacidose.

A cetoacidose é perigosa, mas pode ser evitada. É importante seguir seu tratamento e, aos primeiros sintomas, procurar ajuda médica. Se eu tivesse demorado um pouco mais para ir ao hospital, possivelmente não estaria mais por aqui.

Referências

Saudek, C.D.; Rubin, R.R.; Shump, C.S. The Johns Hopkins Guide to Diabetes. Johns Hopkins Press. 2001

 

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